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No Brasil, há cerca de 380 clínicas e hospitais que fazem uso dos chamados radiofármacos, medicamentos e equipamentos de diagnóstico que utilizam a energia nuclear para o tratamento de diversas doenças, especialmente na oncologia. A área está em expansão e esse número deve crescer nos próximos anos, especialmente depois da quebra do monopólio da produção e comercialização dessa classe de medicamentos, por meio de uma emenda constitucional (49/06).

A medicina nuclear é a especialidade médica que utiliza os radiofármacos. São serviços de saúde muito eficientes, mas de elevado custo e restrito a um público selecionado. Hospitais públicos têm sido beneficiados com a ampliação do segmento, mas a grande maioria dos procedimentos ainda está fora do Sistema Único de Saúde (SUS), como também dos convênios médicos, que não têm condições de cobrir o custo dos tratamentos.

Depois da quebra do monopólio, empresas privadas começaram a participar do mercado, e, por conta disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) lançou resoluções para regular a atividade. A RDC 63/2009 definiu os critérios das boas práticas de produção de radiofármacos e a Resolução 64/2009, as exigências para o registro de novos produtos. Já a RDC 38/08 descreveu as exigências de infraestrutura da radiofarmácia hospitalar.

Completando a série de normas, a Resolução 486/2008, do Conselho Federal de Farmácia (CFF), definiu as atribuições do farmacêutico na área de radiofarmácia, dentre as quais a realização de preparações farmacêuticas, produção em indústrias, hospitais e clínicas, fracionamento, controle e garantia de qualidade e responsabilidade técnica, entre outras.

“A partir de então, surgiu uma nova era. Clínicas e hospitais estão contratando farmacêuticos para se adequarem às normas. A área vai crescer muito ainda porque, a cada ano, há o desenvolvimento de novos produtos, diagnósticos mais precisos e novos equipamentos”, explicou a dra. Marycel Figolis Barboza, especialista em radiofarmácia da equipe do Hospital Albert Einstein.

Segundo ela, a demanda por profissionais é crescente e a área oferece oportunidades atraentes para farmacêuticos especialistas, que estão em falta no mercado. Por outro lado, dra. Marycel considera que a formação está deficiente no Brasil e seria necessário ampliar os cursos nas universidades. “Para isso, também é necessário formar os mestres, mas há poucos especialistas e a maior parte deles está atingindo idade de aposentadoria”, completou.

Radiofarmácia Industrial

O avanço da área está condicionado ao desfecho de um audacioso projeto estratégico do governo brasileiro, que decidiu construir um reator nuclear próprio para a produção de radiofármacos, em Iperó, interior do Estado. Ele será necessário para solucionar a dependência de compostos radiativos, que são importados.

Em 2009, houve uma crise de abastecimento do molibdênio-99, matéria-prima utilizada para a produção do tecnécio-99, principal radiofármaco usado no Brasil. Este fator foi determinante para o investimento na fabricação própria, uma vez que o produto era importado de uma empresa canadense que suspendeu o fornecimento após avarias em seu reator.

Orçada em mais de R$ 1 bilhão, a construção do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) aguarda licenciamentos ambientais, e, se não houver atrasos, até 2019 o país poderá se tornar autossuficiente na área.

“O Brasil é membro da Agência Internacional de Energia Atômica e essa entidade incentiva o uso pacífico da energia nuclear. Ela dá oportunidade de montar projetos específicos de determinadas áreas que estão carentes. Também dá oportunidade para treinamentos. Muitos profissionais já foram para outros centros produtores mais avançados e trouxeram novidades”, afirma a dra. Neuza Okasaki Fukumori, responsável técnica do controle de qualidade do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), que é o centro de referência no Brasil para a produção de radiofármacos no Brasil.

A especialista explicou ainda que o Ipen produz todos os radiofármacos comercializados no Brasil, é responsável por 80% da produção nacional e está associado à Universidade de São Paulo (USP), para fins de ensino de pós-graduação e especialização. O restante é produzido nos institutos de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Recife, todos subordinados à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN).


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